O ELO MATERNO

O Elo Materno é a Ligação mais profunda e amorosa entre todos os elos existentes. Por isso a dor e a saudade da ausência do(a) Filho(a) que partiu doe e machuca o coração de uma mãe. Este Elo foi quebrado e como emenda-lo?
Quando nossos Filhos se vão, como continuar viver a vida? Quanto tempo precisamos para nos fortalecer? Dor e saudade será que poderemos supera-las? Existem outras pessoas que dependem de nós? O que mudou em nós? São perguntas que precisam de respostas, e só o tempo nos dará...

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domingo, 22 de maio de 2011

PAIS QUE VIVEM EM LUTO, UMA DOR QUE NUNCA TERMINA

O DRAMA DOS PAIS QUE TÊM DE LIDAR COM A PARTIDA VIOLENTA DE SEUS FILHOS, UMA TRAGÉDIA CADA VEZ MAIS COMUM - Era fim de dezembro e faltava menos de uma semana para o Natal. A psicóloga Maria José Amaral se preparava para ir para o trabalho quando a Filha Carolina, de 5 anos, pediu: “Fica comigo hoje, mamãe, não vai embora não!” Paciente, a mãe explicou que precisava trabalhar, mas a menina podia ir com ela ao escritório. Haveria uma festa com Papai Noel para os filhos de funcionários. 

Nos anos anteriores, Carolina havia participado, mas daquela vez se recusou. Preferiu ficar com a avó. Quando voltava para casa, após um dia como tantos outros, Maria José passou por um acidente de trânsito. Viu que havia um corpo no chão e comentou com a amiga ao lado: “Gente, é quase Natal, como vai ficar essa família?” Meia hora depois, com um telefonema do ex-marido, ela saberia a resposta. As vítimas do acidente, atropeladas por um ônibus, eram sua mãe e sua filha. “Foi como se o chão se abrisse debaixo de mim, não há tempo que apague essa sensação”, diz. Maria José voltou ao local do acidente, encontrou apenas o corpo da mãe, e chegou a sentir alívio. Correu para o hospital, fantasiando que a Filha ainda estava viva. Procurou médicos e funcionários em busca de informações, mas eles desconversaram. Até que ouviu de um cirurgião a terrível frase: “Fizemos o que era possível”
A psicóloga saiu dali como um autômato. Cuidou da burocracia do IML e escolheu a roupa do velório da pequenina. Foi só depois do enterro que Maria José acordou para o vazio. Não conseguia estar em casa, diante do quarto da Filha. Ficou duas semanas em casas de amigos. Não conseguia dormir, emagreceu, chorava e repetia o tempo todo que estava sozinha no mundo. Vendeu o carro, pensou em sair do país, mas percebeu que teria de enfrentar a situação. “A gente tem de resolver as coisas internamente. Não adiantaria ir embora e levar os problemas comigo”, diz. Decidiu continuar no mesmo apartamento. A psicóloga trabalhava na recuperação de pessoas atingidas pela violência na Baixada Fluminense. Passou a dar assistência a vítimas do trânsito. Lutou para que o motorista tivesse a carteira cassada, e conseguiu. 

PAIS ENLUTADOS SOMOS UM SÓ - Ela é como nos, e como milhares de pais no Brasil que enfrentam a perda de um Filho - As mortes violentas de crianças e jovens chegam a 53.000 por ano. O assunto, um tabu tão horrível que a maioria das pessoas se recusa até a pensar nele, vem sendo abordado em dois filmes de sucesso. O Quarto do Filho, do italiano Nanni Moretti, fala sobre um terapeuta que perde o primogênito e o esforço da família para se recuperar. O americano Entre Quatro Paredes, indicado para cinco Oscares, mostra pais buscando justiça por um Filho assassinado. Na vida real, porém, não há roteirista para resolver os dramas dos personagens.
O luto de quem perde um Filho é diferente de qualquer outro. Tem o poder de destruir uma família e tornar insuportável o peso de tocar a vida adiante. Carolina, a Filha de Maria José, se foi, mas as bonecas permanecem no quarto da Filha, decorado com retratos na parede. A psicóloga fala dela no presente. Num shopping, quase comprou um par de sandálias de menina antes de se dar conta de que não tinha mais em quem calçá-las. Certa vez comprou uma coleção de CDs infantis com a desculpa de que iria usá-los no trabalho. “Na verdade, eu sabia que eram para minha menina. Ela ia gostar muito daquelas músicas”, conta. 

"Pode faltar de tudo aqui em casa, mas nunca vai faltar flor para meu Filho", diz o jornalista Fausto Camunha, enquanto troca os cravos vermelhos e brancos de um vaso na sala. Ali, na parede há um verdadeiro altar com 18 fotografias do jovem Fausto Eduardo, que morreu num acidente de automóvel em 1997, aos 20 anos. Foi a maneira que o casal encontrou para homenagear o Filho único, que não voltará mais. Após o acidente, Lídia, a mãe, ficou tão chocada que não conseguiu ir ao velório nem ao enterro. Só visitou o túmulo do rapaz um ano e meio depois. Para tocar a vida, até hoje ela toma oito remédios diferentes, entre antidepressivos e calmantes – sem os quais não consegue dormir –, como Lexotan, Lorax, Rohypinol e Rivotril. O casal faz terapia com uma psiquiatra especializada em luto, mas acha que nunca conseguirá se recuperar totalmente. "A vida perdeu o sentido", diz Fausto, que usa no pulso o relógio e a pulseira de ouro que pertenciam ao Filho. Lídia sonha com o rapaz quase todas as noites. "Sinto como se ele pudesse voltar a qualquer hora", diz Lídia. Fausto não toma medicamentos nem sonha, mas visita o túmulo do Filho todo mês e lembra dele constantemente. "Em situações como essa, quem fica tem a sensação de que não pode ser feliz nunca mais, porque seria desleal com o Filho que se foi", diz a psiquiatra Marluce de Souza Pedro, que atende a família Camunha.

Para qualquer pai, os Filhos são a continuação de sua história. “A criança sai do ventre da mãe para ficar no mundo depois que ela se for”, diz a antropóloga Renate Viertler, da Universidade de São Paulo (USP). Os pais escolhem seus carros, o lugar onde vão morar e, em muitos casos, até mesmo os empregos em função dos Filhos. Perdê-los equivale a decretar o fracasso de tudo aquilo pelo qual se viveu. “A primeira coisa que se pensa é: nunca mais terei alegria na vida”, diz o psicanalista Renato Mezan. “Com um Filho, morre também a esperança de imortalidade, que é um desejo primitivo e fundamental.” É bom saber que existem profissionais.

Nessa situação, muitos emudecem - O publicitário Paulo Giovanni, dono da agência Giovanni FCB, uma das maiores do país, perdeu seus dois Filhos, de 21 e 15 anos, no início do mês, num acidente de automóvel. A família sofreu tanto que, aos amigos que ligavam para dar os pêsames, pedia simplesmente que não fossem ao funeral. Giovanni passou uma semana trancado em seu apartamento. O mesmo se passou com o administrador de empresas Rodrigo Vilaça, pai da menina Vytória, de 6 anos, que morreu num acidente com um elevador num shopping de São Paulo. A pequena era Filha única, nascida depois que a mãe passou por cinco anos de tratamento para engravidar. A recuperação só ocorre aos poucos. “A experiência do luto vem da infância”, explica a psiquiatra Marluce de Souza Pedro, especialista no assunto. O bebê, por volta dos 6 meses, se dá conta pela primeira vez que a mãe não está ali com ele, e acha que ela não voltará mais. É seu primeiro luto. A perda de um parente sempre traz de volta a angústia da criança sozinha no mundo, a vontade de se encolher, enfiar-se num buraco na terra e jamais sair dali. Quando a pessoa desaparecida é um pai ou uma mãe, o choque é de certa maneira esperado. Quando a perda é de um Filho, porém, a cicatrização parece impossível. “O tempo só piora, a dor nunca acaba. Cada dia é mais um dia sem ele. A sensação do ‘nunca’ é a pior que se pode sentir”, conta Lucinha Araujo, mãe do roqueiro Cazuza, morto em 1990. 

Carteira num dia, morte no outroRafael Bezerra da Fonseca acabara de fazer 18 anos e, no ritual típico de todo jovem de classe média, correu para tirar sua carteira de motorista. Assim que a habilitação chegou, 15 dias depois do aniversário, veio com ela o presente – um carro novo. Naquele fim de semana, Rafael morreu. O rapaz foi ao aniversário de uma amiga, num sítio perto de São Paulo, e quando voltava pela Rodovia Castelo Branco o automóvel capotou a 110 quilômetros por hora. Os dois amigos que viajavam com ele sobreviveram. No velório, seu pai só conseguia repetir uma frase: "Eu dei o carro que matou meu Filho". A mãe, Luci Meire Fonseca, mandou fechar o caixão porque não conseguia olhar para o corpo. Pensava tanto em morrer que começou a escrever cartas para o Filho falecido. Depois de quatro meses, dizia numa delas: "Amanhã serão 120 dias a menos para nos encontrarmos." Buscou consolo na religião e acabou transformando as cartas numa forma de terapia. Lançou um livro com elas, Nosso Amor É Imortal, e nele relembra toda a história de Rafael, desde a gravidez. "Não existem culpados, existem porquês. Existe somente uma vida em crescimento, em aprendizado, que chega ao fim aqui na terra", escreveu.

O ritmo de vida de nossa sociedade torna quase impossível lidar com a perda de uma pessoa da família. “A recuperação leva muito tempo, e simplesmente ninguém tem tempo”, diz a antropóloga Renate Viertler. Antigamente, as pessoas que entravam em luto passavam meses e meses afastadas do convívio social, e um tempo considerável longe do trabalho. Quando saíam à rua, vestidas de preto, deixavam claro seu estado de espírito. “Hoje todos têm de voltar rapidamente à vida produtiva. É um tal de dizer ‘não chora, passa logo por cima, vai em frente’”, diz Renate. Exige-se que as pessoas enlutadas cumpram regras, horários e cargas de trabalho que não têm condições de suportar. “É comum que os casais se separem, porque um passa a pôr a culpa no outro. Um culpado ajuda a aliviar a dor”, diz a psiquiatra Marluce Pedro.

Ao perder uma criança, não há pai que não ache que poderia ter feito algo para evitar a tragédia. Em geral, porém, isso é apenas uma ilusão. No fim de fevereiro, a pequena Kimberly Zaballa Bustios, de 7 anos, pulava amarelinha no quintal de seu prédio, num bairro de classe média de São Paulo, quando o muro que separa o condomínio do colégio vizinho desabou sobre ela. A menina morreu antes de chegar ao hospital. “Tentamos proteger os Filhos de todas as formas e, de repente, os perdemos dentro de casa”, desespera-se o pai, Vicente Zaballa, de 52 anos. Para enfrentar a dor, ele e a mulher, Jorgelina, repetem que precisam cuidar dos outros três Filhos. 

O desespero da morte anunciada Em 1995 a pequena Rebeca Peliz, de 2 anos, entrou numa sala de cirurgia em Brasília para extrair do cérebro um tumor maligno do tamanho de um limão. Ela estava desenganada, mas a operação era necessária para reduzir a pressão craniana. A menina saiu da sala consciente, mas de olhos fechados. "Ela nunca mais os abriu. Nunca mais vi os olhos da minha Filha", conta a mãe, Ilda. "Eu perguntava se estava doendo e ela respondia 'tá', batendo a mãozinha na cabeça." Rebeca morreu em casa, dois meses depois. A agonia da caçula arrasou a família. As duas filhas mais velhas repetiram de ano, e uma chegou a acusar a mãe de não se preocupar mais com ela. O sofrimento era tanto que uma vez, no hospital, os pais souberam que uma criança havia morrido e torceram para que fosse Rebeca. "Levei quatro anos para abrir o armário de minha Filha", conta Ilda. Hoje ela trabalha numa instituição que ajuda crianças com câncer.

As famílias de nosso tempo têm uma intimidade maior que as do passado, o que faz com que a carga de emoção depositada sobre cada Filho aumente. Tempos atrás era diferente. Crianças não se sentavam à mesa com os adultos e Filhos só podiam se dirigir aos pais chamando-os de senhor ou senhora. Durante muito tempo os herdeiros, principalmente nas comunidades rurais, eram vistos como mão-de-obra. Valia a pena ter uma família numerosa, porque assim haveria mais braços para a lavoura. O historiador francês Philippe Ariès conta que, até o final da Idade Média, não se guardavam sequer os retratos das crianças. Se elas cresciam e se tornavam adultas, a infância era um período sem importância em suas vidas. Se morriam cedo, “não se considerava que aquela coisinha desaparecida fosse digna de lembrança”, diz no livro História Social da Criança e da Família. No século XVI, o filósofo francês Montaigne julgava mais sofrido despedir-se de Filhos adultos que dos menores: “Perdi dois ou três Filhos pequenos, não sem tristeza, mas sem desespero”, escreveu. Em função de pestes, epidemias e doenças que ninguém sabia como tratar, a morte dos pequeninos era tão comum que as pessoas achavam normal ter vários Filhos para que só alguns sobrevivessem. O mundo se desenvolveu, a mortalidade infantil reduziu-se. Com menos perdas, as famílias passaram a ter menos descendentes. Menos pessoas sob um mesmo teto se tornam mais próximas. A falta de alguém à mesa no domingo parece um peso insuportável. 


O último telefonema - O cirurgião plástico Wagner de Moares estava numa festa em  Friburgo, no Rio de Janeiro, quando o telefone celular tocou à 1h15 da madrugada. Ele viu no visor do aparelho o número da Filha e atendeu - mas ninguém falou. Do outro lado da linha, ouvia-se apenas o barulho do trânsito. Antes que ele conseguisse retornar a ligação, o telefone voltou a tocar. Dessa vez, ouviu uma voz desconhecida. Era um PM. "Doutor, infelizmente sua Filha acaba de ser assassinada." Michelle, de 22 anos, foi baleada dentro do carro por uma assaltante. A primeira ligação havia sido feita pela moça, ferida, que ainda tentou fugir e pedir socorro. "Em seu momento de maior dor, foi a mim que ela procurou e não pude fazer nada", lamenta Moraes. "Morri junto com ela." Para exorcizar a perda da Filha única, o cirurgião fundou uma ONG dedicada à recuperação de drogados – a assassina, hoje presa, era uma viciada em cocaína que atirou porque estava fora de controle. Em homenagem à memória de Michelle, ele escreveu um livro e chegou a patrocinar um curta-metragem, dirigido pelo cineasta Neville D'Almeida e estrelado pela atriz Juliana Paes.


MÃES E PAIS FAMOSOS QUE PERDERAM SEUS FILHOS PREMATURAMENTE: 
Cissa Guimarães: O músico Rafael Mascarenhas, Filho caçula da atriz, morreu atropelado no dia 20 de julho de 2010, aos 18 anos. O jovem andava de skate em um túnel interditado no Rio de Janeiro, quando foi atingido por um veículo que furou o bloqueio da via. Rafael era filho de Cissa com o músico Raul Mascarenhas.
Christiane Torloni: Em 1991, a atriz estava manobrando uma caminhonete na garagem de casa, quando o carro perdeu o controle e caiu em uma ribanceira de 4 metros de altura. No acidente, seu Filho Guilherme, fruto do casamento com o diretor Dênis Carvalho, sofreu traumatismo craniano e acabou morrendo. Para superar o trauma, Christiane e o irmão gêmeo do menino, Leonardo, se mudaram para Portugal.
Elza Soares: A cantora teve com o jogador de futebol Garrincha um menino, Manuel Garrincha dos Santos Júnior. O garoto morreu em 1986 em um acidente de carro.
Eric Clapton: O Filho do músico com a atriz Lori Del Santo morreu aos 4 anos. Conor caiu do 53º andar de um prédio em 20 de março de 1991. A música "Tears in Heaven" foi composta por Clapton após a morte do menino.
Gilberto Gil: Em 1990, Pedro Gil, Filho do cantor com Belina Aguiar, morreu em um acidente de carro. O rapaz tocava bateria na banda Ego Trip.
Glória Perez: O Brasil todo acompanhou o julgamento em 1992 de Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, responsáveis pelo assassinato de Daniela Perez. A atriz era Filha da dramaturga Glória Perez. Na época em que foi morta, aliás, ela estava encenando a novela "De Corpo e Alma", assinada por sua mãe.
John Travolta: Em dezembro de 2008, Jett Travolta, de 16 anos, morreu depois de uma convulsão. A família passava o final do ano nas Bahamas, e encontrou o garoto inconsciente no banheiro do resort Old Bahama Bay. Jett já tinha histórico de convulsões. Quando criança, foi diagnosticado com uma doença chamada Kawasaki, que leva à inflamação de artérias.
Mike Tyson: Exodus Tyson foi declarada morta em 26 de maio de 2009, às 11h45, após um dia de internação. A menina de 4 anos foi encontrada com o pescoço enrolado em um cabo de uma esteira, na casa da família, em Phoenix, pelo irmão Miguel, de 7 anos.
Nelson Mandela: O líder sul-africano veio a público em maio de 2005 comunicar que seu Filho Makgatho Mandela havia morrido de Aids. O rapaz chegou a ficar um mês internado em Johannesburgo, capital da África do Sul.
Tássia Camargo: A atriz perdeu a Filha de 2 anos, Maria Júlia, em 1996. A menina foi vítima de rubéola congênita tardia.
Ana Rosa: A atriz perdeu seu primeiro Filho, Maurício, do seu relacionamento com o humorista Dede Santana, com apenas 1 ano de idade vitima de leucemia. Anos mais tarde passou pelo mesmo sofrimento com a morte de sua Filha Ana Luísa.
Edson Trindade: Perdeu sua Filha de 15 anos de idade num acidente de carro, não tem muito relato sobre o assunto, ele é o autor da música cantada por Tim Maia "Gostava tanto de você", compôs esta música para homenagear a sua Filha. 
Nessas situações, o consolo sempre foi encarar a tragédia como vontade de Deus. Diante de uma determinação superior, restava apenas se conformar. Mas hoje até as pessoas mais fiéis, em caso de doença ou acidente, depositam suas esperanças nos médicos e nos hospitais. “Houve uma substituição da função religiosa pela medicina. Por isso, a morte é vista como um fracasso, e não como um fato natural”, explica a psicóloga Maria Júlia Kovács, da USP. Embora a maioria das pessoas se considere religiosa, enxerga o mundo com olhar científico, quase materialista. Não se acredita em encantamento, duvida-se de milagres. Isso torna a vida mais cruel. “Quanto menos se pensa de forma religiosa, mais absurda parece a morte”, diz o psicanalista Renato Mezan. Num mundo material, morrer é acabar, e pronto, algo muito mais chocante que pensar numa pessoa querida a caminho do Céu. Todas as religiões pregam que os mortos não se extinguem, mas mudam para um plano superior da existência.

Em busca de alento, a atriz Nair Bello procurou o médium Chico Xavier em 1977 para tentar fazer contato com o Filho Manoel, morto em um acidente de carro. Recebeu uma carta psicografada, em que ele se dizia feliz em ver que a família enfrentava a tragédia com bravura. A carta ajudou Nair a erguer a cabeça novamente. “Estava tão abalada que ia à igreja e só pedia para voltar a rir outra vez”, recorda.


William, cujo Filho de 18 anos morreu afogado dez anos atrás, escreve: “Ainda sinto a dor dessa perda, e vou senti-la enquanto viver.” Lucy, cinco anos depois que seu Filho morreu de uma doença súbita, escreveu: “Nos primeiros dias, eu não parava de pensar: ‘Isso não pode ser verdade.’ Parecia que eu estava tendo um pesadelo e que logo acordaria. Depois de algum tempo, comecei a me dar conta de que era verdade, que ele não voltaria mais para casa. Meu Filho morreu há cinco anos, mas, às vezes, quando estou sozinha, ainda choro.”


FORÇAS PARA CUIDAR DOS QUE FICAMA família Frateschi seguia de Parati para São Paulo na volta do Carnaval. Como a família é grande, a viagem era feita em dois carros. Repentinamente, o automóvel dirigido pela mãe, Iolanda, saiu da pista e capotou várias vezes. Ela e a Filha mais velha sofreram ferimentos leves, mas o pequeno Pedro, de 7 anos, e a caçula Beatriz, de 6, foram arremessados para fora do carro. O pai e os outros Filhos, que viajavam mais à frente, atravessaram a pista correndo para socorrer os feridos. Pedro não resistiu aos ferimentos. Beatriz entrou em coma, passou quatro semanas no hospital e se recupera em casa. "Sepultar meu bichinho foi um pavor, uma coisa sem lógica", desabafa o pai, Paulo Frateschi, presidente do PT paulista. Para superar a dor, a família se uniu em torno da recuperação da Filha. "Por mais contraditório que pareça, o que aconteceu com a Bia acabou nos ajudando a enfrentar a dor da perda do Pedrinho", acrescenta. "Não podemos nos entregar porque temos um objetivo, que é curá-la." Na casa, as lembranças de Pedro ainda estão por toda parte, do quarto aos bilhetinhos de amor à mãe espalhados pelos cantos. "Tenho certeza de que precisaremos de ajuda profissional para enfrentar essa dor."
A MORTE CHEGA PARA TODOS - Até 60 anos atrás, morrer antes da velhice era comum. Os antibióticos ainda não eram difundidos e doenças hoje curáveis eram fatais. Jovens eram consumidos por varíola, tuberculose ou tifo. Crianças eram levadas pela caxumba e pelo tétano. Com o progresso da medicina, a expectativa de vida aumentou, e hoje morrer antes dos 60 parece inconcebível. O que tem seus efeitos colaterais. “Nosso mundo se recusa a pensar na morte”, considera a antropóloga Renate Viertler. “A sociedade prega o ideal da eterna juventude e se apóia nos avanços da medicina para dar a ilusão de que o fim nunca chegará.” 

MAS TRAGÉDIAS ACONTECEM - No lugar das doenças, é a violência que hoje leva os jovens. As estatísticas mostram que, nas mortes entre os 10 e os 29 anos de idade, 70% são provocadas pelas chamadas “causas externas”, ou seja, fatores que não têm nada a ver com a saúde da vítima. Em primeiro lugar vêm os homicídios, que cresceram 109% em 18 anos. Em geral são brigas de fim de semana, resolvidas à bala, à faca, em tragédias cujas origens a própria polícia tem dificuldade para resolver. Depois, os acidentes de trânsito. Em seguida as mortes provocadas por substâncias químicas – categoria que engloba os envenenamentos e as overdoses de drogas. “O trauma desses casos é muito maior, porque não há tempo para a despedida. Quando alguém sofre de uma doença grave, as pessoas próximas têm tempo de se preparar para o pior. Uma das coisas que mais perturbam quem fica é a falta de uma despedida”, explica a psicóloga Maria Júlia Kovács. Foi o que ocorreu com o economista André Leal, de Brasília. Eram 3 horas da manhã quando ele recebeu uma ligação de um hospital avisando que seu Filho João Cláudio, de 20 anos, estava morto. Ele havia sido espancado numa briga na saída de uma boate. “É como se ele tivesse morrido hoje”, diz a mãe do rapaz, Silvana. Um filme, uma música ou uma situação são suficientes para deflagrar uma crise. Recentemente, a família foi a um casamento. Na cerimônia, tocou a música preferida de João Cláudio. “Chorei tanto que tive de sair”, diz Silvana. "Meu Filho salvou minha vida"

A perda de uma criança pode simplesmente destruir uma família. Foi o que aconteceu em 1998 quando Maxwell Oliveira da Silva, de 12 anos, foi atropelado na frente de sua casa, em São Paulo. O pai, o entregador Benedito da Silva Filho, atravessou a Rodovia dos Bandeirantes com o garoto nos braços, praticamente se jogando na frente dos carros "para ver se morria junto com ele". Em quatro meses a mãe, Delma, entrou em depressão, deixou de se alimentar, ficou doente e morreu. Benedito, antes uma pessoa tranquila e ponderada, ficou fora de si. Quinze dias após a morte da esposa, brigou no trabalho e foi demitido. Passou dois anos sem conseguir emprego fixo. Sentia que a vida não fazia mais sentido. "Quem me salvou foi meu outro filho, Brian", diz, abraçando o caçula, de 8 anos. "Não fizemos terapia nem procuramos ajuda em religião. Simplesmente nos agarramos um ao outro." No ano passado, Benedito conheceu uma jovem viúva. Já arranjou um emprego e agora pensa em casar e criar uma nova família.

SEGUNDO OS PSICÓLOGOS - As famílias grandes, numerosas e estáveis de antigamente garantiam uma base mais sólida para quem precisava se recuperar de uma perda dolorosa. Com o aumento dos divórcios, a maioria das pessoas reparte seu cotidiano com um grupo cada vez menor de pessoas. Há menos apoio para suportar um baque. “Vive-se longe dos parentes, labutando na vida profissional. No passado a estrutura familiar era mais protetora”, diz Renate Viertler. Os especialistas consideram que procurar grupos de ajuda pode ser útil. Mas, em geral, há uma única receita para sobreviver à fatalidade: aproximar-se dos que vivem, e enfrentar a vida pensando neles. “Ainda me lembro do Leonardo dando tchauzinho no portão. É a última imagem que tenho dele”, diz a cantora Wanderléa, que perdeu seu Filho de apenas 2 anos em 1984. O garoto andava de triciclo quando caiu na piscina e morreu. Leonardo tinha o hábito de acordar todos os dias e levar o urso de pelúcia com o qual dormia para a cama da mãe. Por causa da confusão do acidente, o brinquedo foi esquecido lá. Quando acordou depois do enterro, a primeira coisa que Wanderléa viu foi o ursinho. ”Pensei que não resistiria, meu marido pensou em se matar, achei que nunca mais teria um Filho”, lembra. Seis meses depois, viu que estava errada. O quarto de Leonardo, até então arrumado, ganhou nova mobília para outro bebê. Com duas Filhas adolescentes, Wanderléa superou a perda, mas nunca vai esquecê-la. “Léo era um anjo que ficou comigo algum tempo, mas eu tive de devolver a Deus.” 

COMO ENFRENTAR A DOR O que os especialistas recomendam. Procurar orientação médica: auxílio profissional é imprescindível no processo de aceitação da perda. O gesto de falar sobre a dor com alguém de fora da família é benéfico, serve como uma espécie de ritual para aliviar o sofrimento. Manter a rotina: as atividades do cotidiano – escola, trabalho, convívio social – não devem ser paralisadas. Isso só aumenta a sensação de que a vida acabou junto com a do(a) Filho(a).
Enfrentar a dor: falar sobre a tragédia, ver fotografias e chorar sempre que tiver vontade ajuda. O luto é elaborado na medida em que se entra em contato com a dor. Evitar a culpa: quem se acha culpado julga também que poderia ter evitado a tragédia – o que é uma fantasia de onipotência. Esse pensamento impede que se viva a realidade da perda. A culpa é, em certa medida, uma forma de fugir da dor. Tirar lições da morte: por mais dolorosos que sejam, todos os fatos da vida trazem alguma lição. Segundo os terapeutas, quem deixa de tirar lições da dor vai reviver a sensação de perda constantemente.
Encontrar uma válvula de escape: cada pessoa deve achar seu caminho. Para uns é a religião, para outros é assumir uma causa ou dedicar-se às artes. O importante é não ficar paralisado pela dor. Falar a verdade: não esconder as circunstâncias ou causas da morte, independentemente de tabus e preconceitos. Quando isso não acontece, as pessoas correm o risco de repetir a história e entrar numa ciranda de perdas sucessivas.
Republicação - Fonte: Instituto de Psiquiatria e Psicoterapia da Infância e Adolescência de São Paulo.


POR QUE TANTA TRISTEZA - Quando um bebê nasce, os Pais sentem emoções que não existem em nenhum outro relacionamento humano. Apenas segurar o bebezinho, observá-lo dormir ou ver seu sorriso largo dá a eles muita felicidade e alegria. Pais amorosos cuidam bem de seus Filhos. Eles os treinam para se comportarem bem e serem educados: "Pois vocês sabem que tratamos cada um como um Pai trata seus Filhos" - 1 Tessalonicenses 2: 11.
À medida que os Filhos correspondem a esses esforços e se desenvolvem, os pais sentem-se orgulhosos e começam a fazer muitos planos para eles. Pais que se preocupam com os Filhos trabalham muito para cuidar das necessidades deles. Talvez reservem regularmente dinheiro ou bens materiais para ajudá-los a iniciar sua própria família no futuro: "...além disso, os filhos não devem ajuntar riquezas para os pais, mas os pais para os seus filhos" - 2º Corintios 12:14b.   
Esse enorme custo em termos de sentimento, tempo, esforço e dinheiro deixa claro que os pais criam seus Filhos para viver uma vida e não para partir prematuramente. 
Quando um Filho parti, os planos que os pais tinham para ele também se vão, e o trabalho de criá-lo fica incompleto. O amor e a afeição que fluem dos pais para o Filho são bloqueados pela barreira intransponível da partida. O lugar que o Filho ou a Filha ocupavam no seu coração agora está vazio. Os pais sentem uma profunda tristeza que não é facilmente superada e nem tão pouco entendida.
A BÍBLIA CONFIRMA - Que pais enlutados sentem uma dor intensa e persistente. Descrevendo o que aconteceu quando o patriarca Jacó recebeu a notícia da morte de seu Filho José, a Bíblia diz: Jacó rasgou as suas capas e pôs serapilheira em volta dos quadris, e pranteou muitos dias pelo seu Filho. E todos os seus Filhos e todas as suas Filhas se levantavam para consolá-lo, mas ele se negava a ser consolado e dizia: ‘Pois descerei pranteando para meu Filho ao Seol ou, à sepultura! Anos depois, Jacó ainda sentia pesar por seu Filho, a quem presumia estar morto  - Gênesis 37:34, 35; 42:36-3.
Também relata o fato de uma mulher fiel chamada Noemi, que perdeu dois Filhos na morte. Muito entristecida, ela quis mudar seu nome de Noemi, que significa “Minha Agradabilidade”, para Mara, que significa “Amarga”  - Rute 1:3-5, 20, 21.  

A Bíblia vai além de reconhecer a dor que os pais sentem. Ela mostra também como Deus dá força aos pesarosos. 
O escritor bíblico Paulo descreveu que: “o Deus que provê perseverança e consolo”  - Romanos 15:5
Visto que a Bíblia garante que Deus não muda com o passar do tempo, podemos ter certeza de que ele ainda consola os que o servem: "Toda a  boa a dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há sombra de variação" - Tiago 1:17.
A Bíblia revela que Deus consola os enlutados de várias maneiras. Quais são algumas delas? Deus dá força aos que oram a Ele em busca de ajuda. Ele também induz os cristãos verdadeiros a consolar seus irmãos na fé. E, na sua Palavra, a Bíblia, Deus provê relatos animadores que fortalecem especialmente os que estão pesarosos por causa da partida de um(a) Filho(a).
"O PRÓPRIO DEUS OUVIU" O Rei Davi escreveu sobre nosso Criador, Deus: “Confiai nele em todos os tempos, ó povo. Derramai vosso coração diante d'Ele, Deus é um refúgio para nós” -  Salmo 62:8. Por que Davi tinha tanta confiança em Deus? Falando sobre si mesmo, Davi escreveu: “Este atribulado chamou e o próprio Deus ouviu. E salvou-o de todas as suas aflições” - Salmo 34:6. Em todas as situações aflitivas pelas quais Davi passou, ele sempre orou a Deus pedindo ajuda, e Deus sempre o ajudou. Davi sabia por experiência própria que Deus o apoiaria e o ajudaria a perseverar.
Pais pesarosos precisam saber que Deus os ajudará a suportar a tristeza profunda, assim como fez com Davi. Eles podem se aproximar do grande “Ouvinte de oração”, confiando que Ele os ajudará: "Ó Tu que ouves a oração, a Ti virão todos os homens" - Salmos 65:02.
William, citado no artigo anterior, disse: “Muitas vezes, acho que não vou aguentar viver nem mais um instante sem meu Filho, e peço a Deus que me dê alívio. Ele sempre me dá forças e coragem para continuar vivendo.” 
De forma similar, se você orar com fé a Deus, o grandioso Deus, Ele o sustentará. Afinal,  Deus promete aos que se esforçam em servi-lo: Eu, o Senhor teu Deus, agarro a tua direita, Aquele que te diz: Não tenhas medo. Eu mesmo te ajudarei”- Isaías 41:13.

APOIO DOS VERDADEIROS AMIGOS - Os enlutados por causa da partida inesperada de um(a) Filho(a) geralmente precisam de tempo a sós para chorar e pôr em ordem seus sentimentos. No entanto, não seria bom para eles evitar a companhia de outros por um período prolongado: "Quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra a sensatez" - Provérbios 18:1, “quem se isola” pode se prejudicar, fazendo mal a si próprio devido a amargura de alma e o estado de tristeza profundo.
Portanto, os pais pesarosos devem tomar cuidado para não cair na armadilha do isolamento. Amigos tementes a Deus podem ajudar muito os que estão angustiados diz: “O verdadeiro companheiro está amando todo o tempo e é um irmão nascido para quando há aflição” - Provérbios 17:17.
Lucy, também mencionada no artigo anterior, recebeu consolo de verdadeiros amigos depois da partida do seu Filho. Ela disse sobre seus amigos na congregação: “Suas visitas ajudaram muito, embora às vezes eles falassem bem pouco. Uma amiga me visitava nos dias em que eu estava sozinha. Ela sabia que eu estaria em casa chorando, e muitas vezes vinha e chorava comigo. Outra me ligava todos os dias para me animar. Ainda outros nos convidavam para tomar refeições em sua casa, e continuam fazendo isso.”
Embora a profunda dor que os Pais sentem quando perdem um(a) Filho(a) não seja superada facilmente, a oração a Deus e a companhia de verdadeiros amigos cristãos serão de real consolo aos pais pesarosos. Muitos Pais que perderam um(a) Filho(a) sentem por experiência própria que Deus está com eles. De fato, Deus “está sarando os quebrantados de coração e está fazendo curativo em seus pontos doloridos” - Salmo 147:3.

RELATOS BÍBLICOS QUE DÃO CONSOLO - Além da oração e da associação edificante, a Palavra escrita de Deus é uma fonte de consolo aos que pranteiam. Relatos bíblicos revelam que Jesus tem profundo desejo e capacidade de acabar com a dor dos pais enlutados por trazer os mortos de volta à vida. Esses relatos dão verdadeiro consolo aos pesarosos. Vejamos dois deles.
1Jesus viu em Naim um grupo de pessoas acompanhando um enterro. Estavam prestes a sepultar o Filho único de uma viúva. Em Lucas 7: 13 diz: “Avistando-a o Senhor, teve pena dela e disse-lhe: "Pára de chorar". Poucas pessoas ousariam dizer a uma mãe que parasse de chorar no enterro do filho. 
Por que Jesus disse isso? Porque ele sabia que a tristeza dessa mãe logo acabaria. Jesus se aproximou e tocou no esquife, e os portadores ficaram parados, e ele disse: ‘Jovem, eu te digo: Levanta-te!’ E o morto sentou-se e principiou a falar, e ele o entregou à sua mãe Lucas 7:14, 15, nesse momento, a mãe deve ter chorado novamente, mas desta vez de alegria.
2- Um homem chamado Jairo se aproximou de Jesus e pediu-lhe que ajudasse sua Filha de 12 anos, que estava muito doente. Logo em seguida, chegou a notícia de que a menina havia morrido. Isso partiu o coração de Jairo, mas Jesus lhe disse: “Não temas, apenas exerce fé.” Na casa da família, Jesus aproximou-se da menina morta e, segurando sua mão, disse: “Donzela, digo-te: Levanta-te!” O que aconteceu? “A donzela levantou-se imediatamente e começou a andar.” Qual foi a reação dos pais? “Eles ficaram . . . fora de si com grande êxtase.” Ao abraçarem a Filha, Jairo e sua esposa sentiram-se extremamente felizes. Tudo aquilo parecia um sonho Marcos 5:22-24, 35-43.
Esses e outros relatos bíblicos detalhados sobre a ressurreição de Filhos mostram aos pais pesarosos hoje o que podem esperar no futuro. Jesus disse: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão” João 5:28, 29.  O propósito de Deus é que seu Filho dê vida aos que partiram. Incontáveis milhões de Filhos que partiram “ouvirão a sua voz “ quando ele lhes disser: ‘Levantem-se!’ Esses jovens voltarão a andar e a falar. Seus pais ficarão “fora de si com grande êxtase”, assim como se deu com Jairo e sua esposa.
Qual será o resultado imediato se você ‘buscar a Deus’? Receberá força por meio da oração a Deus, se sentirá consolado pela preocupação amorosa de verdadeiros companheiros cristãos e ficará animado por estudar a Palavra de Deus. Além disso, no futuro próximo, verá pessoalmente as obras maravilhosas e os milagres que Deus vai realizar para o seu benefício eterno e para o benefício do Filho que partiu prematuramente da sua vida. 
Deus pode transformar sua tristeza em alegria por meio da ressurreição. Para se beneficiar dessa gloriosa perspectiva, obedeça ao conselho do salmista: “Buscai a Deus e a sua força. Procurai a sua face constantemente. Lembrai-vos das suas obras maravilhosas que realizou, dos seus milagres” - Salmo 105:04-05Portanto, sirva o Deus verdadeiro, e adore-o de modo aceitável.
                                   
SERÁ QUE OS NOSSOS FILHOS SE TORNARAM ANJOS DE DEUS?Os nossos amigos tentam nos consolar, dizendo: “Deus precisava de anjos no céu"Isso faz sentido para você? Será que é verdade que Deus causou a partida do nosso(a) Filho ou Filha, porque precisa de mais anjos no céu? Isso significaria que Deus é insensível, até mesmo cruel. Por causa da lenda religiosa que ouvimos "que se os nossos filhos foram jovens e antes de nós, é porque eles são anjos de Deus"

A Bíblia diz o contrário disso: "Pelo que vós, homens sensatos, escutai-me: longe de Deus o praticar a perversidade, e do Todo Poderoso cometer injustiça" - Jó 34:10, um Pai compassivo não tiraria um(a) Filho(a) de seus Pais só para aumentar sua própria família. 
No entanto, nenhum pai humano tem mais compaixão do que Deus, cuja qualidade predominante é o Amor: "Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é AMOR" - 1ª João 4:08. Seu grande amor nunca permitiria que Ele agisse de forma tão cruel para com seus próprios Filhos.
PERGUNTA-SE: "Deus precisa de mais anjos no céu?"A Bíblia diz que todas as ações de Deus são boas e perfeitas: "Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há n'Ele injustiça; justo e reto é" - Deuteronômio 32:4. Seu trabalho de criar diretamente milhões de anjos foi perfeito, e não havia carência deles: "De diante d'Ele, saía um rio d fogo. Milhares e milhares de anjos os serviam, milhões e milhões estavam diante d'Ele..." - Daniel 7:10. Será que Deus de alguma forma calculou mal o número de anjos que precisava? Impossível! Com certeza, o Deus Todo-Poderoso nunca cometeria um erro desses. 
Deus não precisa dos nossos Filhos como "Anjos Celestiais", isso não está em harmonia com o Seu propósito original. No jardim do Éden, Deus disse a Adão e Eva: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a" - Gênesis 1:28. Os Filhos são um presente de Deus, essenciais para o cumprimento de seu propósito original de encher a Terra com uma família humana justa. Nunca fez parte de seu propósito que os nossos Filhos partissem e então fossem transformados em Anjos. A Bíblia afirma que os Filhos são “..uma herança da parte de Deus”  -Salmo 127:3. Será que o Deus de Amor, pegaria de volta um presente que deu aos Pais? Claro que não!
A partida dos nossos Filhos nos causa grande tristeza, dor e sofrimento. Então, que esperança os Pais Enlutados podem ter? A Bíblia promete que Deus vai ressuscitar incontáveis milhões de pessoas: "Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz, e sairão; os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados" - João 5:28-29. 
Imagine os nossos Filhos — com corpos celestiais, perfeitos e saudáveis — reencontrando seus parentes queridos. É da vontade de Deus que os nosso Filhos cresçam, usufruam a vida e aprendam sobre Ele e seus propósitos para os homens. Assim sendo, nossos Filhos que partiram não são anjos no céu, mas estão desfrutando da Vida Eterna, nossos Filhos são seres espirituais que vive na presença do nosso Deus. Assim como nós eles também aguardam o Grande Reencontro, eles não conhecem a dor, a tristeza e nem a saudade devido a intensidade e a profundidade do Amor de Deus que opera na Região Celestial.
Nossos Filhos vieram, viveram e partiram no tempo determinado por Deus, um tempo desconhecidos por nós, por acharmos que os Filhos devem sepultar seus Pais, mas tudo tem o seu tempo: "Tudo tem o seu tempo determinado, é há para todos os propósitos debaixo do céu..."  Eclesiastes 3:01 e mais (2-13). E ainda que não entendemos tudo faz parte dos seus propósitos para com seus Filhos, para voltar a Ele, é necessário que haja o desligamento sobre as coisas da terra: "E o pó (corpo) volte à terra, como o era, e o espírito volte para Deus, que o deu" - Eclesiastes 12:07
Nossos Filho, eles estão envolvidos no Amor e na Graça de Deus, estão protegidos de todos os sentimentos carnais, estes sentimentos não existem, o céu não é lugar de dor e nem de sofrimento. Eles vivem em harmonia com Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. A distância e o tempo não permitirá que os vejamos, que os tocamos, mais em tempo algum nos impedirá de ama-los eternamente, pois só o Amor é sólido, é o sentimento mais Eterno que prevalece no espirito do homem que habita no céu ou na terra.

MEU DESEJO AOS PAIS ENLUTADOS - Sei que eu não posso acabar com o teu desgosto e ansiedade... posso e desejo comunicar contigo para juntos procurarmos o melhor caminho para a tua serenidade. Sei que eu não posso apagar a tua mágoa e a dor... se não está na minha mão o teu futuro de paz... posso e desejo, se tu quiseres, ser um porto de abrigo.
Sei que eu não posso impedir que vivas triste... desejo oferecer-te a minha mão para te ajudar a levantar. Dar-te o meu apoio e encorajar-te a prosseguir. 
Sei que eu não tenho poder para traçar para ti um caminho de felicidade... desejo ajudar-te a encontrar a tua paz e crescimento. 
Sei que eu não posso salvar esse teu coração ferido pela dor, estamos unidos por ela... mas posso e desejo compreender.

Mesmo sem te conhecer estou aqui sentindo muita ternura e amizade por ti. Sei o que sentes e conheço a dor da partida de um Filho prematura em nossas vidas.

É muito sincero o meu carinho e o meu desejo. O que te ofereço é a minha oração e a compreensão nesta face de nossas vidas, para compartilharmos juntos as dores que sentimos tão em comum, a tristeza, a saudade a ausência dos Nossos Filhos Amados em nossas vidas e o nosso luto interno e eterno por eles. 

Ajudar-te a conseguir viver com Fé e Sabedoria Confiando no Poder de Deus para acalentar os nossos corações de Pais Enlutados. 

Isso será para mim a melhor recompensa...

Rejeita o pensamento: não vale a pena...  

Dedico esta postagem aos Pais Enlutados os de ontem, os de hoje e aos de amanhã...
E-mails para contato: 
"marushasantos@uol.com.br/marushavieira@hotmail.com"

    Abraços Fraternos de Márcia Santos em Especial aos Pais  Enlutados

  aos Leitores e Seguidores do Blog Mães e Filhos Elo Eterno



quinta-feira, 19 de maio de 2011

LIDANDO COM O LUTO - LUTO DIA À DIA

O Luto é um estado emocional acompanhado do sentimento de perda, dor e tristeza, inegavelmente, mais cedo ou mais tarde todos experimentarão, pois todos se defrontam com a partida de alguém querido durante a vida. Em nosso caso nossos filhos Amados e Queridos por nós.
São poucas as situações que causam tanto desconforto quanto a partida de um ser querido. Ainda que se saiba que ela é inevitável e faz parte do curso natural da vida, ao acontecer na sua casa ou no seu grupo de amigos, não há quem fique indiferente.
Quando a morte inverte o curso da vida, e um filho parti antes dos seus pais, é muito comum que as pessoas não saibam o que dizer, como lidar com a situação e muitas vezes confundem-se entre seus próprios sentimentos e temores, sem saber como agir para ajudar as pessoas que sofrem. 
São inúmeras as questões que surgem diante desta situação.




01 - O que dizer para os pais que perderam seu filho?
02 - Quando falar?
03 - Quem deve falar?
04 - O que fazer com o quarto e com os pertences do filho?
05 - É possível consolar? De que forma?
06 - Dá para falar do filho?
07 - Se não falar no nome dele é mais fácil esquecer?
08 - Quanto tempo leva para que as coisas voltem ao “normal”?
09 - O que fazer nas datas comemorativas?
10 - Como ajudar, então?
11 - Onde procurar ajuda?
12 - O que não falar?


Os primeiros momentos da perda, para muitos pais são sentidos como se estivessem num sonho ruim e daqui a pouco irão acordar. As pessoas que os conhecem, principalmente, os familiares, que também estão sentindo muito, buscam alternativas de consolo, que possam dar conta dos mais variados sentimentos. E é natural que se tente fazer algo, então se oferece medicamentos, livros e  suas denominações, orações e muitas, muitas frases de consolo: “Deus quis assim”, “era a hora dele”, “a vida continua”, “ele era um jovem especial” “ele era iluminado”, e outras nem tanto, “cada um recebe a carga que pode carregar”, “eu sei o que tu estas passando perdi minha avó”, “eu no teu lugar também morreria”, etc.
Frases como estas num primeiro momento causam estranheza, pois não se consegue pensar ainda na situação como algo real, e depois causam sensações de indignação.
Primeiro por que qualquer mãe ou pai trocaria um filho iluminado, por um filho vivo. Quando a frase invoca Deus, até os que têm mais fé se perguntam “cadê Deus que não cuidou do meu filho”, “que Deus é esse que  permite que os filhos se vão antes dos pais”. Que a vida continua todos sabem, e na mais dolorosa das dores, pensar nisso aumenta ainda mais o vazio de continuar sem a presença da pessoa amada. Comparar a perda de um filho, com qualquer outra é injusta, pois como foi falado no inicio do texto, é contra a ordem natural. Os filhos são a continuidade dos pais, que agora se encontram impossibilitados de se projetarem
neles, e sem a chance de recuperá-los. 
Em hipótese alguma queremos dizer que qualquer outra perda seja fácil ou não tenha valor. Apenas que dor não deve ser comparada, nem medida.
01 - O que dizer para os pais que perderam um filho?
Força. Conta comigo. Estou a tua disposição. Tu não esta sozinho. Em que posso ajudar. Dar um abraço carinhoso e silencioso.
02 - Quando falar?
Sempre que houver oportunidade.
03 - Quem deve falar?
Todas as pessoas que estiverem solidárias naquele momento, mas principalmente os amigos e familiares
04 - O que fazer com o quarto e com os pertences do filho?
Num primeiro momento nada. Deixar a família decidir no tempo em que eles acharem adequado. Muitas vezes os amigos querem ficar com alguma lembrança, e na maioria delas os pais não se importam em dar. Desde que se tenha intimidade suficiente com os amigos para isso. Outras vezes são os irmãos que pegam as  roupas para usar isto é notado, por muitos pais, como uma homenagem, uma forma de demonstrar carinho e permite que se fale sobre a pessoa que se foi de forma natural e real.
05 - É possível consolar? De que forma?
Uma família que  um jovem partiu é muito assediada, num primeiro momento, são os familiares, amigos, vizinhos, colegas, etc. A medida em que o tempo vai passando e as pessoas vão retomando sua rotina, “pois a vida continua” para todos, é que para os pais e familiares mais diretos, a realidade começa a se impor. As pessoas já não querem mais falar sobre o que aconteceu, como se não falando ajudasse a esquecer ou a não doer. Ao contrário de outras perdas, o tempo, no caso dos pais, no começo não é um bom aliado, e quanto mais os dias vão passando, mais aguda fica a dor da realidade. O tempo cronológico de perda não é o mesmo da assimilação. Dói ver a rotina sem o filho. A vida não é mais a mesma, ela não continua, ela recomeçou sem aquela pessoa, e com uma história interrompida. Nada é igual a família modifica, falta um prato na mesa, tem alguém que não entra mais pela porta dizendo “família cheguei”, ou “mãe, pai sou eu”, ou ainda “o que tem para comer”. Não se escuta mais o mesmo barulho na casa, a chave abrindo a porta de madrugada, nem o mesmo entra sai de amigos, não há mais musica alta, nem folia, computador e telefone ocupados o tempo todo, festa todo o final de semana ou porta de quarto fechada cheirando a segredo.
É esta a realidade que machuca. É essa realidade que só se instala na casa e na vida de quem perdeu. Para os pais dói ir ao supermercado e não comprar aquilo que estavam acostumados a fazer automaticamente, as coisas preferidas do filho. Dói colocar na mesa a comida que ele amava comer, fazer o caminho do colégio, chegar à hora do almoço. Anoitecer. Sim são estes os detalhes mais delicados de se lidar, e que passam despercebidos por quem não compartilha a rotina.
Consolar talvez não seja o mais adequado, sugiro agüentar a dor do amigo, deixá-lo falar, respeitar seu silêncio, seu tempo. Não há consolo para esta situação. É necessário disponibilidade para estar perto sem ser invasivo, sem exigir uma reação imediata.
06 - Dá para falar do filho?
Sempre que as pessoas da família se mostrarem dispostas a isso. Pois nem todos têm facilidade para tocar no  assunto a qualquer momento. Outros gostam de falar no filho como se ele estivesse presente, e está, no seu coração. Outros não gostam ou naquele momento não querem falar. É preciso sensibilidade e sutileza diante desta situação.
07 - Se não falar no nome dele é mais fácil esquecer?
Os pais não esquecem. Talvez seja complicado para as pessoas que estão de fora tocar no assunto. Por isso deve se respeitar o momento de cada um. E até mesmo perguntar se quer falar no assunto ou não, o que não pode é fazer que nada aconteceu, como se a pessoa não tivesse existido ou que esta tudo bem.
08 - Quanto tempo leva para que as coisas voltem ao “normal”?
A normalidade almejada ou esperada e que se tinha antes, não existe mais. Um pai ou mãe esquecer seu filho, é improvável. O que acontece é um aprender lento a viver sem a presença do filho. É um aprender a lidar com a saudade, com os dias sem ele, com a datas comemorativas, num tempo que é singular. É necessário que se respeite a nova configuração familiar, o tempo de cada um, e as modificações que vão ocorrendo nas pessoas.
09 - O que fazer nas datas comemorativas?
Os pais que perdem um filho perdem também a motivação e a empolgação para comemorar qualquer data. O seu conceito sobre comemorações, felicitações, bem como o seu ânimo para festas fica alterado. O conceito de felicidade modifica. Passa-se a reconhecer os momentos felizes, e estes são muito diferentes do que já foi um dia. Não é mais a mesma coisa comemorar um ano novo, dia das mães, dos pais, aniversário, natal, etc. É claro que se comemora, que se sente alegria, mas falta um pedaço, nada mais é completo e por mais que se tente, falta uma pessoa importante, amada e que não é esquecida.
O convite dos amigos e familiares é sempre bem vindo, desde que não seja uma imposição, que não se exija felicidade plena, alegria transbordante ou o mesmo comportamento de antes. Desde que não se negue que o amigo convidado perdeu um filho e se possa lidar com isso de forma natural.
10 - Como ajudar, então?
Colocando-se a disposição. Dando o tempo necessário para que as pessoas retomem suas vidas. Ligando às vezes para saber como estão, se precisam de alguma coisa, se querem conversar, receber visita ou visitar. Respeitando seus altos e baixos. Não exigindo que reajam como se o que aconteceu fosse um evento banal “já passaram três meses, a vida continua, tem que reagir”. A memória é atemporal. Quando a lembrança volta, não importa o tempo que passou, parece que foi hoje. Falando quando se permitir falar e ouvindo sempre que for necessário. Não passando a mão pela cabeça como se o sofrimento fosse a única coisa que lhes resta. Mas apontando saídas, não duvidando da dor, mas dizendo que é sim possível se reconstruir a vida, diferente daquela que existiu, mas nem por isso pior. Exercendo a capacidade de acolhimento e não de pena. Tratando as pessoas não como doentes, elas não estão doentes, estão aprendendo a viver sem o filho.
Colocando-se no lugar dessas pessoas, por mais difícil e assustador que possa parecer, e se perguntado o que me ajudaria nesta situação?!
Cada pessoa reage diante de uma situação traumatizante, de acordo com a sua estrutura psíquica.
Contar com uma rede de apoio saudável é muito importante. Ter espaço para expor seus sentimentos é fundamental para que se estabeleçam as mudanças que são inerentes à perda.
Mudança de valores, de hábitos, de conceitos, de interesses, etc.
11 - Onde procurar ajuda?
Muitos pais são levados a psiquiatras, padres, centro espíritas, psicólogos, igrejas etc. No intuito de que algo seja feito de imediato. É claro que alguns cuidados são necessários e imediatos, cuidados com a alimentação, com o sono, com a tristeza que pode evoluir para depressão. Porém é necessário que se respeite o jeito de cada um de lidar com a situação, pois nem todas gostam de utilizar medicamentos e estes devem ser usados com orientação médica e com cautela. Luto não é doença e a dor que ele traz não cura com analgésico. À vontade de morrer é diferente do risco de se matar, e um profissional capacitado deverá saber diferenciar estes sentimentos.
A procura por um pastor, padre ou centro espírita, pode ser sugerida e jamais imposta, deve se respeitar à fé de cada um e até mesmo a falta dela.
Os psicólogos e médicos que irão trabalhar com pais, devem saber que estão diante de um tipo de luto muito particular, e que pode não responder da mesma forma que os outros tipos, em hipótese alguma, dizemos que será pior, porém com outras características e tempo de reação.
12 - O que não falar?
Não importa a forma como o filho partiu, se foi em acidente, em um assalto, por doença, etc. Falar sobre o assunto é muito delicado. Relatar fatos e detalhes só para satisfazer a curiosidade de quem pergunta é muito dolorido. Os questionamentos sobre os detalhes do que aconteceu, talvez sejam os mais inconvenientes e os que mais machucam os pais, principalmente quando parte de pessoas com as quais não se tem intimidade, nem amizade e muitas vezes nem contato. Essa situação só pode ser pior, nos momentos em que estas mesmas pessoas vem querer contar algum detalhe desconhecido, ou algum fato chocante relacionado ao ocorrido. Duvida-se até das intenções dessas pessoas. Será que estão mesmo a fim de ajudar? Será que querem apenas saber qual a reação, o grau de comoção, ou será que lhes faz bem a tristeza do outro?
Então, antes de perguntar aos pais algum detalhe sobre o acontecido, sugiro que se pense para que vai lhe servir esta informação, se for simplesmente para satisfazer a sua curiosidade, talvez seja melhor conter-se e não perguntar; se for para ajudar a esclarecer alguma dúvida ou para contribuir com alguma colocação coerente para clarear algum fato, que se faça com sutileza e respeito.


ORAÇÃO AS FAMÍLIAS QUE SEUS FILHOS PARTIRAM           PREMATURAMENTE
Aos queridos pais enlutos este pode ser um momento para aprofundar a nossa compreensão da vida em oração, meditação e recolhimento. Caminhar ou passar algum tempo em ambientes naturais e tranqüilos pode tornar-nos conscientes da natureza mutável da Presença de Deus de muitas coisas. Ou você pode querer visitar algum  local de devoção particular, igreja de sua preferência ou realizar um retiro.

Pai Eterno, Deus todo Poderosos e Grande em misericórdia, em Nome do Senhor Jesus Cristo teu Filho Amado peço o teu Amparo, o Teu Consolo o Teu Amor por estas famílias.
Não podemos ver como Tu olhas, Senhor. Seus desígnios são grande mistério para o nosso conhecimento humano. A dor impede a razão, em nossos corações só há tristeza, estamos em luto pelos nosso filhos queridos que partiram de nossa vida prematuramente de uma forma inesperada.
Somos Mães e Pais que ficamos sem os nossos  filhos queridos e estimados , a dor em nossos corações é tal que não se pode imaginar...
Senhor que sejam levantadas pessoas ajudadoras, que possam auxiliá-las de perto, com abraços, palavras, orações estas famílias.
Tentes misericórdia de nosso corações e mentes pois as vezes é difícil compreender o teu querer.
Guarde-nos Senhor da dor intensa que toma conta dos nossos corações, das saudades e das tristezas. Protegei estas famílias e à minha em Nome do Senhor Jesus Cristo. "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo,à  sombra do Onipotente descansará"

LUTO DIA À DIA - Hoje completa seis meses que meu Filhote partiu, a minha vida continua e tudo ao meu redor está completamente vazio, sem vida, busco forças em Deus e acredito que Ele move o meu corpo físico e o meu espírito por Misericórdia da minha Filhota Raquel (Kekel) que precisa de uma mãe ao seu lado, que precisa ser amada muito mais que antes.
A Raquel, minha (Kekel) sabe o quanto sinto saudades, ela perceber como dói e o tamanho da tristeza que está em mim, o tempo todo ela me abraça, me beija e fala que me ama, da mesma forma do Teteu,  palavras que eu ouvia do Mateus, desta forma ambas se consolam uma na outra, em seus gestos de ternura e carinho eu me envolvo e tento retribuir apesar da dor. 
Incrível, ela só tem 10 anos e entende tudo, o meu olhar, o meu falar o meu sentir, sei que ela sente falta do irmão, eles eram companheiros e cúmplices em tudo, Mateus tratava a Raquel com grande amor, carinho e afeto, ele demonstrou este amor deste no dia que ela nasceu, no dia em que partiu ficou notório. 
Percebo que minha Filhota não quer que eu sinta ou viva sem os beijos e os abraços do meu Filhote Mateus (Teteu), motivo pelo qual dobrou os beijos e os abraços e frase: "mamãe eu te amo", ao seu modo ela tenta trazer a presença do irmão em minha vida, fazendo os mesmos gestos de ternura e carinho. 
Meu Deus! O que passamos juntos, deste que tudo aconteceu no dia 20 de Novembro de 2010 só o Senhor é nossa testemunha viva.

As buscas decorreram em quatros dias, sábado, domingo, segunda e terça. Na segunda feira a Raquel falou: "mamãe eu quero ir procurar o Teteu", perguntei a ela porque, ela me respondeu: "eu preciso ir ", falei com meu esposo, perguntamos à ela se era isto que realmente queria,  ela respondeu: "sim".  Pensamos que seria o melhor para que no futuro ela não se revolta-se por não termos deixando-a participar do resgate do irmão.
Quando chegamos no local as pessoas ficaram surpresas por vê-la, afinal era a única criança entre os adultos. Muitas pessoas vieram falar, que não era uma boa ideia, que não era bom, pois se o corpo fosse encontrado sabe Deus de que forma, ficaria uma imagem ruim em suas lembranças. Como seres humanos realmente não entendemos nada do "Agir de Deus", as vezes o que falamos só serve para piora e não para aliviar uma determinada situação.
Os bombeiros como sempre  trabalharam no lago o tempo todo e a nossa atenção era para o que eles estavam fazendo, as vezes eu olhava para Raquel que não estava ao meu lado ia procura-la e por várias vezes ela estava gesticulando e falando sozinha eu perguntava: "com quem você está falando", ela me dava um sorriso e ficava por isso mesmo, teve um momento que choveu, peguei o guarda-chuva e fui atrás dela, abracei-a, ela olhou para atrás eu perguntei: "o que foi Kel", ela respondeu: "nada mamãe só estou vendo se tem alguém conosco"
Neste dia o Mateus (Teteu) não foi resgatado, porém a Raquel (Kekel) falou para mim; "mamãe  o Teteu está naquele lugar eles precisam ir pra lá", fiquei  pasma olhando para ela, como já era tarde e as buscas estavam cessando mesmo comentando com Tenente Renato ele falou que só poderia fazer pela manhã como ponto de partida. Na terça feira o Mateus foi encontrado no local que Raquel apontará no lago.
Após o velório e o sepultamento na quinta feira,  a Raquel (Kekel) me viu chorando na sexta feira com uma crise desesperadora, ela veio e sentou-se ao meu lado na cama me abraçando e perguntou: "Mamãe você acredita em anjos"eu respondi que "Sim". Então ela me falou "Mamãe havia muitos anjos no lago que e voavam em roda onde o Teteu estava, o céu tinha vários anjos e um deles veio até a mim , sem tocar no chão , balançando sia asa devagarinho, ele falou que tinha uma mensagem do Teteu, que ele estava bem e não queria que eu, você e o papai chorasse, que não era para ninguém chorar, que nós tínhamos que continuar, e que tudo estava bem, o anjo ficou o tempo todo comigo. Você não viu ele comigo mamãe?, respondi a ela: "Não, a mamãe não percebeu a presenças deles no lago", ela continuou dizendo: "Ele falava muitas coisas boas, e repetia sempre que não precisava chorar que o Mateus estava bem, que nós não iríamos vê-lo, mas que ele estaria sempre ao nosso lado"

Depois da revelação da Raquel eu comecei a relembrar que nenhum momento ela chorou nem antes e nem depois apesar dos seis meses de luto ela não chorou e sempre fala: "O Teteu está bem e não quer que ninguém chore". Ao me ver chorando de saudades e de dor ela diz: "Mamãe o Teteu pediu para senhora não chorar, ele está do seu lado o tempo todo". Enxuguei as lágrimas por me lembra que ele sempre falava: "Engoli o choro Raquel", ao ver a irmã chorando por uma determinada situação, quantos nos conversávamos eu dizia que estava com vontade de chora devido alguma situação desconfortante no trabalho, as lágrimas desciam em silêncio, ele me abraçava  forte e dizia: "Mãe não Chora",  o Teteu  eu sei disso, ele não gostava de nos ver chorando por nada, ele passava a sua força, a sua energia e a sua confiança para nós.
Nos dias que se passam, fico pensando no amor do Teteu mesmo após a sua partida ele nos enviou consolo e conforto, afirmando que estará sempre conosco, e que tudo estava bem, às vezes eu percebo a sua presença tão forte em momentos de choro pela saudade, pela sua ausência, ao fechar os olhos e pedi para Deus me ajudar neste momento de saudade do meu Filhote, onde as lembranças vem e vão, ouço sua voz tão nítida: "mãe não chora, caminha", permaneço com meu olhos fechados para senti-lo um pouco mais, até que a dor e o choro desesperador se vão ou se amenizem, meu coração recebe uma brisa suave de consolo e conforto, até a próxima aflição.
Em cada segundos, minutos, horas, dias, semanas e meses eu vou vivendo o Luto Interno pelo meu Filhote Amado Mateus, acredito que os "pais enlutados pelos seus filhos que partiram prematuramente de suas vidas", vivam da mesma forma, não temos como conter o momento do choro, das lembranças, da dor, da saudade e da tristeza, somos pais, estamos com o coração sangrando, com uma saudade tão intensa e profunda, com uma tristeza gigantesca dentro de nós que nos sufocar, com olhos esperançosos para vê-los novamente, com mil perguntas sem respostas, somente Deus para nos amparar nestes momentos saudosos.
Muitas vezes esqueço de agradecer à Deus por ter enviado seus anjos para cuidar do corpo do meu filho durante o tempo que ficou no fundo do lago, para cuidar da minha filha Raquel no momento que minha atenção estava totalmente voltada para o meu filho, acreditando que um milagre aconteceria há qualquer momento, que o Mateus seria achado com vida, perdido na mata próxima ao lago. E mesmo seu corpo sendo resgatado ao contrários do que as pessoas diziam que estaria inchado, roxo,  faltando partes do corpo devido o estado de pudreficação pelo tempo que ficou no fundo do lago os peixes comeriam parte dos dedos das mãos  ou dos pés, enfim coisas horrendas.
Os anjos de Deus estavam com certeza no lago cuidando do corpo do meu Filhote, ele foi resgatado em perfeito estado, estava normal como eu havia visto pela última vez, seu semblante estava suave, seus olhos estavam fechados, a cor da sua pele branca como sempre com as bochechas coradas. Meu esposo pediu aos técnicos da perícia que tivessem cuidado ao transportá-lo do lago para dentro do sacóstomo para levá-lo ao instituto médico legal, seu corpo estava móvel nada estava rígido, os dedos das mãos e pés estavam perfeitos, nada e nem ninguém tocou no meu Filhote até aquele, somente a Mão Deus para levá-lo consigo para o Lar Eterno.
Esqueço de agradecê-lo por contrariar as pessoas que falaram coisas horrendas naqueles dias de buscas e das coisas que ainda não chegaram ao meu conhecimento. Apesar da dor eu sei que o Senhor Deus devolveu o corpo do meu Filhote intacto para mim, o sopro de vida não estava mais ali, porque Deus tomou para si, por amá-lo tanto e ver em meu Filhote a sua pureza e bondade de coração. 
As vezes questiono Deus: porque não foi eu?  Daria minha vida em troca dos meus Filhotes em qualquer situação, eu já vivi tudo o que tinha para viver nos meus quarenta e dois anos. 
O Mateus e Raquel se conformariam, aceitaria o que é normal do ciclo da vida, mas se estou aqui é porque me falta alguma coisa para me tornar pura e bondosa como o meu Filhote aos olhos de Deus, a sua posição diante de Deus era de pureza e naquele momento Deus o tomou para si...
Eu acredito na minha Filhota, no que ela revelou a mim, não tenho como duvidar, nunca falamos nada sobre anjos e nem da forma como eles agem e como são no meio de nós, não há invenção, ela sempre fala da mesma forma e usa sempre as mesmas palavras.
Eu acredito no anjo de Deus que esteve com ela o tempo a confortando durante toda aquela segunda feira, eu olhava para ela falando sozinha, gesticulando com as mãos e as vezes rindo, na minha aflição não pude enxergar nada além da minha dor, e sei que Deus tem me dado força para continuar ainda que eu não perceba ou sinta devido a intensidade da dor pela partida do meu Filhote Mateus tão inesperada, para nós, naquele dia que seria mais um dia de lazer em família.

Eu acredito que o Mateus não sofreu, ele não se desesperou, não havia sinal de desespero, só de paz...
Eu acredito que estou temporariamente separada do meu Filhote no estado físico, para viver ao seu lado toda uma eternidade espiritual.
Eu acredito nas misericórdias do Amor do Senhor através do  Seu Espírito para me amparar e me confortar emocionalmente, psicologicamente e espiritualmente até os momentos finais de minha existência física.
Eu acredito que seremos sobreviventes do luto, da dor, da saudade, da ausência de sua presença em nossa família...
Eu acredito no Amor de Deus para com os Pais Enlutados pelos seus Filhotes Amados.... Eu acredito, eu preciso acreditar, eu vou acreditar.

Homenagem da minha filhota querida Magda aos 5 meses da partida do nosso Teteu - Compartilho com os pais enlutados este louvor, porque sabemos que o melhor de Deus para nós, nem sempre é o que esperamos ou desejamos ser.
Este vídeo foi feito pela minha filhota do coração Magda para meu filhote amado Mateus expressando a dor gigantesca que imundou a nossa vida, a ausência que  invadiu o nosso ser, e a tristeza por não vê-lo em nosso meio.
Durante alguns anos Mag e Teteu conviveram junto, quando moravámos na zona leste, entre os dez aos doze anos, ambos tinham mesma idade na época. Os momentos que eles viveram juntos  e maneira como viveram e se respeitavam, as alegrias, as emoções, os segredos, a cumplicidade junto com Branqueellooo, como ela o chamava estarão eternamente  guardados em seu coração. 
Como mãe sei que, se o meu Filhote estivesse fisicamente em nosso meio, ele do seu jeito, da sua forma de ser diria: " Ai sim, valeu Loiriiinhaa"


CantoraSimone Rosa    Música: "chegou a hora de partir"




             
                  

   










Dedico esta postagem a todos os pais enlutados saudosos pelos seus filhotes amados...

Abraços fraternos de Márcia Santos à todos o Seguidores e Leitores em Especial aos Pais Enlutados, que a Grandeza do Amor de Deus nos envolva para amenizar a nossa dor e saudade                       
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